Muitos surfistas, ou melhor, quase todos sonham em viajar ao Hawaii, pegar a sua prancha e ir direto a Pipeline ou Off The Wall, pegar suas ondas, respeitar os locais (obrigação querendo ou não), sentar na areia de Waimea e depois ir embora falando que aproveitou a ilha ao extremo. Por favor, de todas as oportunidades que lá oferece, fazendo o que eu havia dito, você estará aproveitando apenas 1% de toda a ilha. Sim, chegue à ilha e faça aquele surf esperado pela vida toda, mas não limite-se a isso, Hawaii tem muitas portas abertas para os surfistas não-plásticos, há uma sopa de cultura e história borbulhando nele.
Vá ao Bishop Museum e sinta o cheiro de uma cultura esquecida e linda, converse com alguém importante de Moana Hotel que este alguém te deixará de queixo caído de tantas histórias que rondam os corredores, atravesse a rua e vá para o Outrigger Canoe Club e faça amizade com os praticantes, pegue um pranchão de madeira e vá para Waikiki surfar ao lado de Diamond Head, aprenda algumas palavras do dialeto hawaiiano, escale um coqueiro e coma um abacaxi dos campos perto da costa norte, converse com o cidadão mais velho, coma uma comida típica da ilha e não comercial, nade um pouco em Makaha, medite nos areais de Waimea que lá tem forças além do imaginável – não apenas dos tempos modernos, mas também nos tempos dos sacrifícios humanos –, aprenda um pouco de Ukelele, tome um pouco da bebida enfermentada de abacaxi, converse com Peter Cole ou Ricky Grigg cujo surfistas ainda surfam em ondas grandes e aprendam a realmente ver o surf nestas ondas.
Desculpa a minha ignorância, mas só lhe encomendei 5% do que a ilha nos oferece, a iniciativa é 100% sua, estamos falando em estatística aqui, meu caro.
Sou Lucas Búrigo, 19 anos, natural do sul de Santa Catarina e um apaixonado pela excepcional historia do surf. Comecei a surfar já nos meus 6 anos de idade usando uma bodyboard e aos meus 12 anos, com casa de praia na Galheta (Cabo de Santa Marta - Laguna), me iniciei verdadeiramente neste esporte, onde havia ondas dignas a serem surfadas. Com o passar dos anos fui entrando mais de cabeça no assunto e fiquei fascinado pelos pranchões, minha primeira referência foi o filme Endless Summer (1964/ Bruce Brown).
Grandes ídolos eu consegui descobrir nessa jornada que já fazem 7 anos, entre eles: Greg Noll, Mick Dora, Herbie Fletcher, Ricky Grigg, Phil Edwards, Kemp Aaberg, Dell Cannon, Buch Van Artsdalen, Pat Curren, Duke Kahanamoku, Fred Van Dike, José Angel, Robert August, Leroy Grannis, Doc Ball, Tom Blake, George Freeth, Whitey Harrinson, Buzzy Trent, e os misteriosos hotcurls Fran Heath, Woody Brown, Wally Froiseth, John Kelly, George Downing e Rabbit Kekai.
Video que editei dos Surfistas Lendários.
Não pretendo satisfazer essa gana no qual a sociedade surfística brasileira, domada pela onda comercial, vêm cegamente baseando a imagem dos ídolos e da nova pose dos mesmos. A minha real intenção aqui é mostrar o que as pessoas, ao longo das gerações, vêm cada vez deixando mais de ladoa verdadeira cultura do surf. Mostrar que o esporte é muito mais do que deixar de se levar pela moda corrente e pela facilidade de escolha.
Como um leal longboarder, é lamentável perceber a ideologia que esta modalidade vem rumando nas últimas décadas, conseqüentemente vocês me verão criticar a respeito. Uma coisa sobre os pranchões pesados (não os pranchões em si, mas sim os adaptados lealmente ao estilo clássico) é que eles são difíceis de surfar, e no começo pode ser: "Ah meu Deus, isso parece ser tão limitado de surfar, que coisa difícil". Mas tudo isso pode ser O.K. por ser difícil. Além do mais você olha as pranchas modernas, e percebe-se que elas só querem facilitar o surf! E o que tem ter uma prancha que seja difícil de ser surfada? Só pelo fato de remar na frente da onda e fazer o bottom já mostra bastante habilidade e coragem!
Como são raros os blogs brasileiros que são voltados exclusivamente à historia do nosso grandioso esporte, e que também não são de total confiança em suas informações, irei colocar a história nos mais exatos fatos, a cena de cada década, o costume, a atitude em tudo o que estava rodando no esporte. Fotos e vídeos raros, vídeos no youtube, referências para filmes e livros, músicas retrôs e da época. Pranchas detalhadas, materiais e ferramentas de cada época. Os grandes desbravamentos de grandes picos.
P.V.S.C. - Palos Verdes Surfing Club, since 1935.
Obrigado por serem aqueles dos demais. Até a próxima publicação.