Sob o meu ponto de vista, o que mais satisfaz alguém que estuda a história (não necessariamente do surf, mas dos demais assuntos existentes) é quando a pessoa encontra, por sua atitude, algo que fecha ou encaixa as informações de certo ponto estudado.
Em outras palavras, como havia publicado há um tempo a respeito dos Beach Boys (por favor, não se trata da banda pop dos anos 60), o grupo de homens realizavam diversas (e diversas mesmo) festas nas praias para entreter os convidados e turistas mais famosos que Waikiki poderia abrigar. Como uma "bolha de variedades", os garotos da praia ensinavam, principalmente, surf e à noite faziam luaus lendários - até porque se tratavam de profissionais do "bem-estar".
Perguntas não se deixavam calar: Como seriam os luaus em si? Quais eram as músicas que faziam as pessoas quererem sempre voltar?
Então, com um pingo de sorte me deparei com um álbum intitulado de "A Beach Boy Party", gravado aproximadamente em 1963 e literalmente nas areais de Waikiki. Sua turma de músicos era composta nada menos do que: Chick Daniels, Panama, Kalakaua, Abraham Kala (vulgo Fat), Jimmy Hakuole, Squeeze Kamana, Splash Lyons e, nos refrões, Duke Kahanamoku, Harry Robello, Ox, Steamboat, Turkey Love, Splash, Waltah e etc.
Confesso que se não tivesse uma carga história tão valorizada por mim, esses tipos de música iam me passar quase despercebido. Mas, por levar em consideração que Duke e os demais Beach Boys cantavam essas músicas para os seus convidados na era do Romantismo do Surf (denominação dada por mim, a qual cabe perfeitamente à época), ou seja, décadas de 20 a 40, deixou esse escritor emotivo.
Então, para compartilhar esse elo perdido aos amantes do surf e de sua história, tive o trabalho de passar todas as músicas para o Youtube, as quais encontram-se abaixo em ordem do álbum.
De seu verso, transcrevi e traduzi grande parte de seu conteúdo:
"A coisa mais interessante e incomum sobre esse álbum é a primeira vez na história dos Beach Boys, o que remonta ao tempo do rei Kamehameha, o qual foi um grande Beach Boy, que os meninos fizeram uma gravação, para não falar da primeira vez que eles foram cercados por um grupo de fotógrafos. Na verdade, eles são individualistas (...). Contrariamente à crença popular, eles não são particularmente fáceis para aceitar uma bebida, como Robert Ruark diz sobre eles. Mas se você é divertido e interessante, talvez poderá ser incluído no cheque de vez em quando (...).
Waltah Clarke, que agora vive no sul da Califórnia e que se tornou líder varejista do país de sportswear havaiano, tem sido um amigo de longa data do Beach Boys, e foi, provavelmente, a única razão capaz de reuni-los para a satisfação de seus milhares de amigos em todo o país, incluindo quase todas as celebridades de Hollywood e muitas outras pessoas famosas. Waltah sentiu que os Beach Boys e sua música (...) deveriam ser preservados, então, em 1949, ele deu uma festa para uma gravação, mas a fita foi danificada. Agora, quatorze anos depois, ele finalmente teve sucesso. E agora haverá noites frias e de neve que você se sentará junto à lareira com uma bebida ou duas para aquecê-lo e ouvir os meninos com uma lágrima sentimental, ou duas, em seus olhos.
O cantar e o tocar são inerentes aos garotos de praia, quase entretendo profissionalmente, embora os seus verdadeiros trabalhos eram ensinar surf, natação e passeios de canoa outrigger, etc. (e muitos ETC.)."
Olá, bem-vindos a mais uma publicação do Back to the Singlefins. Nos capítulos anteriores, eu resumidamente explicitei uma parte do Surf Moderno. Comecei com o Renascimento do nosso esporte, passando pelo “Romantismo” e chegando aos últimos momentos da era Longboard, repassando a vocês, o que em minha opinião, foi os momentos mais cruciais desta modalidade.
No começo do século passado, haviam três figuras nas quais se destacavam: Duke Kahanamoku, George Freeth e Alexander Hume Ford. Neste breve capítulo apresentar-lhe-ei o aclamado promotor do surf : Alexander Hume Ford.
Alexander Hume Ford nasceu em 03 de abril de 1868, na cidade de Florence, situada na Carolina do Sul. Filho de Frederick Wentworth Ford e Mary Mazyck Hume Ford, logo viu-se órfão aos quatro anos de idade, pois sua mãe falece durante seu nascimento e seu pai falece após quatro anos, em 1872. A família Ford em si era bem de vida e com grandes influencias, pertencente a uma propriedade chamada Ford’s Point nas proximidades de South Island. Vivendo com sua tia solteira Ellen, Alexander possuía três irmãs que também foram herdadas à elas estas propriedades. Com grande parte de sua herança, educaram Alexander e seu irmão Frederick em Porter Military Academy em Charleston, cuja escolaridade incluía ensino médio e dois anos de faculdade.
Trabalhou brevemente em 1885 para Charleston News e Courier. No ano seguinte, aos 18 anos, Alexander após completar o ensino médio, deixou o Sul-americano não voltando por muito tempo. “Não parecia que nada me segurava no Sul por muito tempo”, escreve ele. "Meus pais morreram quando eu era muito jovem. Minha mãe, de fato, morreu quando eu nasci. Eu era o último dos sete filhos, e fui criado pela minha tia solteira... lembro-me histórias sobre a minha família e de sua riqueza, que veio a partir do plantio de arroz. A prosperidade foi decrescente, porém, após a Guerra Civil. Juntamente com o declínio da minha família...”.
Ford passou a melhor parte de sua vida adulta, como um escritor free-lance em Nova York e Chicago, escrevendo diariamente para os jornais e criativamente como um dramaturgo. Em 1899, no auge de sua carreira de escritor, Ford viajou em toda a Europa Oriental, Rússia, Sibéria, China e no Extremo Oriente. Em missão, ele escreveu artigos para Century, Engineering, Era e Harper's.
No início de 1907, Ford aos 39 anos, “um ligeiro, ágil-homem, com um cavanhaque e um enorme e pontudo bigode parecendo uma vassoura de espanar”, se estabelece em Honolulu, Hawaii. Duas décadas posteriores ele havia aclamado que “foi a emoção do surf que me trouxe para o Hawaii.” É mais provável que Ford se estabeleceu em Honolulu por causa de sua proximidade com a Ásia.
Dois dos meses mais importantes de sua vida foi em maio e junho do corrente ano. No começo do verão, Ford já tinha gasto grande parte de seu tempo tentando aprender a surfar, com resultados nada plausíveis. Ele havia contratado mais de um jovem nativo para ensiná-lo. “Pareceu-me,” diz ele, “que os meus professores me largaram de mão como um pupilo tolo, e eles fizeram mesmo.” Implacavelmente, Ford manteve suas tentativas, de qualquer forma.
Sua perseverança foi recompensada num dia de maio, quando, "Um jovem hapahole (semi-branco e metade nativo)... teve pena de mim. Ele era um dos melhores surfistas da ilha. Eu aprendi em meia hora o que eu havia tentado por semanas.” Seu salvador era um jovem de 19 anos chamado George Freeth, capitão do time de Natação Healani, e acima de tudo um surfista distinto de Waikiki.” Este encontro fortuito entre Alexander Hume Ford e George Freeth acabaria por resultar em uma maior consciência do surfe havaiano nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Oceana.
Imediatamente após este encontro, ambos Ford e George acompanhados por uma delegação do Congresso dos Estados Unidos após uma turnê sobre as ilhas. A visita estava prevista para um período de dois meses, a partir de 08 de maio até meados de julho. Havia 28 membros do Congresso, cujo alguns destes, George deu exclusivamente uma lição de surf. A missão de expedição para averiguação era para determinar se as ilhas Hawaiianas poderiam ser qualificadoras para o futuro do país. Ford usou esta ocasião para ampliar sua rede de contatos com os políticos do continente norte-americano, cuja rede já havia sido criada há anos atrás.
Jack London e sua esposa.
Quando o turístico Congresso partiu para as ilhas principais, Ford retornou para Honolulu. Foi então que ele conheceu o mundialmente famoso aventureiro e escritor Jack London e sua esposa Charmian, em 29 de maio de 1907. Corpulento e inteligente, London em seus dias de glória foi um dos Best-sellers, atingindo a fama mundial com as românticas aventuras, como The Call of the Wild (1903), The Sea Wolf (1904) e White Flag (1906).
Pescadores incas, onde agora o norte do Peru se localiza, deslizavam sobre o mar em suas canoas feitas de bambus possivelmente cerca de 3.000 anos a.C. Mas o surf que nós conhecemos hoje é uma invenção polinésia, onde os grandes desenvolvimentos desta área foram nas ilhas havaianas. O surf ereto, oposto do surf deitado ou ajoelhado, provavelmente começou por volta de 1.000 anos d.C. e rapidamente foi introduzido à cultura havaiana, praticado pelos plebeus e realezas, jovens e idosos, homens, mulheres, e crianças. Vilarejos eram brevemente desertados quando um bom swell chegava, como todas as pessoas ali participavam do evento. Mitos e lendas passaram de geração a geração, dramatizando os surfistas e suas proezas do passado.
Os troncos de árvores de madeiras de lei se transformavam em pranchas, compostas de árvores de koa ou “williwilli”. Eram moldadas grosseiramente com machados, alisadas com um pedaço de coral, lixadas com pedras e seguidamente friccionadas com raízes ou cascas de árvores. Existiam três tipos de pranchas: a paipo que era usada na barriga e normalmente feita para as crianças; a alaia media entre 7 a 12 pés de comprimento, era surfada na posição de bruços, ajoelhado ou em pé; concluindo com o majestoso olo, medindo acima de 16 pés, usado apenas pelas realezas. A Big Island de Hawaii obtinha a grande concentração de surfistas, seguidamente vinha a ilha de Oahu.
No século XVIII, capitão marítimo e explorador James Cook, durante sua terceira e última viajem entre o Pacífico, veio após de um surfista de canoa em 1777 em Taiti, “Eu não pude deixar de concluir, que este homem sentia o maior prazer supremo enquanto este deslizava rapidamente e suavemente sobre o mar”, enquanto apreciava e notificava em seu diário de bordo. Décadas depois, gravuras feitas pelos visitantes europeus ofereciam um vislumbre romântico da “ainda não atávica” cultura havaiana.
Capitão James Cook.
Calvinistas Missionários americanos fundaram seus primeiros estabelecimentos nas ilhas havaianas em 1820, fazendo uma perícia detalhada na cultura local. Assim que os visitantes estabilizaram uma teocracia, o surf foi desvirtuado como improdutível, desregrado e perigoso. Mas não banido por completo, como o surf relacionado com festivais fora cancelado, enquanto as apostas de jogos e o lazer em si foram denunciados como imorais.
Família missionária, Shipman.
Em 1892, como um filho de um missionário notou com um toque de amargura, que o surf tinha desaparecido sob o “toque da civilização”, e pranchas de surf eram raramente vistas fora dos museus. Entretanto, sem a imunidade natural contra os europeus, e até mesmo americanos, nasceram doenças, dizimando os nativos aos milhares. Após, foi estimado que a população havaiana fora reduzida os incríveis 90% entre a chegada de Cook e o final do século XVIII.